Inflação, deflação e desinflação: o que são e como podem afetar o comércio exterior?

7 de outubro de 2020
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“Inflação fica em 0,24% em agosto, maior taxa para o mês desde 2016, aponta IBGE”

 

“Brasil registra deflação pelo segundo mês seguido por queda de demanda”

 

“Taxas de juros têm queda firme, com horizonte de desinflação”

 

Estas foram manchetes noticiadas pelos veículos de comunicação brasileiros entre abril e junho de 2020. Aspecto-chave para entender essas notícias é saber diferenciar três conceitos aparentemente semelhantes, usados para mapear a atividade econômica de um país, mas que se reportam a realidades bem distintas: inflação, deflação e desinflação.

 

Apesar de muito presentes na mídia, essas três palavras podem oferecer confusão – primeiro porque serem tão parecidas em termos de escrita e, depois, porque se trata de conceitos específicos dos estudos econômicos que muitas vezes não são explicados ao público em geral. Por outro lado, saber essa diferença é extremamente importante para compreender os impactos que essas diferentes realidades têm na atividade econômica de um país, especialmente na área do comércio exterior.

 

É precisamente essa a nossa missão neste post. Primeiro, ajudamos você a distinguir entre inflação, deflação e desinflação e, em seguida, mostramos como esses conceitos, principalmente, o de inflação, influenciam as trocas comerciais com outros países. Vem com gente!

 

 

Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA)

Antes de tratarmos da diferenciação entre os conceitos de inflação, deflação e desinflação, é importante entender o que é o IPCA (Índice de Preços do Consumidor Amplo), elaborado pelo Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC).

 

Trata-se de um indicador que calcula a variação de preços da cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias brasileiras que recebem de 1 a 40 salários mínimos.  Essa cesta consiste no conjunto dos principais produtos consumidos por essas famílias e está sempre sujeita a alteração, uma vez que sempre existem novos bens na economia. Do mesmo modo, existem bens que não são mais comercializados ou que deixam de ter relevância.

 

O cálculo do IPCA é feito mensalmente e leva em conta a variação do preço desses bens e serviços. A partir dele, temos o cálculo das taxas de inflação, deflação e desinflação.

 

Agora sim, vamos ao que cada um desses conceitos significa.

 

 

O que é a inflação?

A inflação é o aumento generalizado dos preços calculados pelo IPCA.

 

Ela é causada, na maioria das vezes, pelo aumento do nível de atividade da economia. Basicamente, as pessoas começam a comprar mais, ou seja, a demanda aumenta, e as empresas têm que produzir mais, aumentando a oferta. Trata-se de um exemplo da aplicação, na prática, da lei da oferta e da demanda.

 

Quando há mais produtos do que interessados em os comprar, os preços tendem a cair. Por outro lado, se um produto estiver em falta ou se aumentar a procura, o seu preço tende a aumentar. Idealmente, esse movimento de subida e descida de preços faria com que o mercado acabasse por alcançar um ponto de equilíbrio, no qual a oferta é igual à demanda.

 

Um fator que pode conduzir a um aumento dos preços é o aumento dos gastos públicos, o qual, por sua vez, leva o governo a aumentar impostos e, com isso, aumentam também os preços dos produtos em geral. Além disso, a inflação é dita inercial quando as pessoas preveem mais inflação no futuro e aumentam seus gastos no presente. Há ainda outros fatores, como os monopólios, aumentos súbitos nos custos de produção e baixo nível de produção devido a diversos fatores.

 

A inflação tem inúmeras consequências para a economia de um país, desde perda do poder de compra pela população até o crescimento da taxa de juros.

 

 

O que é a deflação?

A deflação ocorre quando os preços gerais dos produtos caem. Trata-se, portanto, do contrário da inflação.

 

Por que isso ocorre? As razões são variadas, mas basicamente a deflação está associada a uma queda na demanda e à consequente abundância de produtos. Ou seja, por uma combinação de fatores ou devido a uma causa única, as pessoas passam a consumir menos. Em um círculo vicioso, sabendo que os preços estão caindo, as pessoas postergam ainda mais as suas compras, esperando chegar a um valor mais vantajoso.

 

Se acontecer isoladamente, a deflação pode ser uma mera correção dos preços– como resposta a um aumento muito alto no passado. Contudo, quando ela é prolongada, a economia se contrai, podendo levar ao aumento de desemprego e ao prejuízo das empresas. As consequências mais duradouras podem comprometer a capacidade de investimento e de recuperação do país.

 

Uma das piores crises deflacionárias da história aconteceu nos Estados Unidos, após o “crash” da bolsa de Nova York em 1929. No Brasil, na década de 1930, os preços caíram tanto que o governo de Getúlio Vargas precisou intervir, comprando e queimando milhões de sacas de café, o principal produto exportado pelo Brasil na época. Com isso, reduziu a oferta e forçou um aumento nos preços.

 

 

O que é desinflação?

Diferentemente da deflação, a desinflação ocorre quando temos a combinação de dois cenários (1) a inflação diminui, mas (2) essa elevação dos preços ocorre em ritmo lento. Nesse caso, temos uma subida dos preços em um percentual menor do que era apresentado ou esperado para determinado período.

 

A desinflação pode ser pontual ou crônica – é o caso do Japão há muitos anos. Embora seja um cenário muitas vezes mais vantajoso que o da deflação, uma vez que esta pode estar associada a um período de recessão na economia, a deflação pode sinalizar que algo não vai bem, principalmente se for persistente.

 

 

Como o comércio exterior é afetado?

Na prática, em um cenário de inflação, o dinheiro de um país desvaloriza, ou seja, passa-se a comprar menos com a mesma quantia. Isso está associado a uma desvalorização da moeda principalmente, em relação ao dólar, a principal moeda no mercado de câmbio e a base para transações em grandes movimentações da economia global.

 

Com isso, os custos para importação aumentam. Assim, diminuem a presença de produtos estrangeiros circulando no mercado nacional. Por outro lado, as exportações ganham fôlego. O real desvalorizado é um sinônimo de que o produto brasileiro será oferecido no mercado nacional com um preço menor e, portanto, mais competitivo para concorrer os demais. Com mais exportações, aumenta a vinda de dólar para o Brasil e o déficit na balança comercial tende a diminuir.

 

Segundo dados do mês de setembro de 2020 divulgados no IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15), que mede a prévia da inflação oficial, o Brasil registrou alta de preços de 0,45% em setembro deste ano. Essa taxa é superior ao 0,23% de agosto deste ano e ao 0,09% de setembro do ano passado. Esse é também o maior resultado para 1 mês de setembro desde 2012 (0,48%).

 

Todo esse cenário é animador para vários setores produtivos que desejam exportar. Se esse é o seu caso e da sua empresa, saiba que pode contar com a expertise da Open Market. Há mais de 20 anos no mercado, oferecemos soluções inteligentes na gestão do comércio exterior.  Com serviços na área de importação e exportação, garantimos total controle desses processos. Quer saber mais? Entre em contato conosco agora mesmo e teremos prazer em tirar as suas dúvidas!

 

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Até o próximo post!

 

 

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